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JORNAL REGIONAL postal do Algarve

semanario sal à quinta-feira

ano XV    Nº 596     11 de Julho 2002

entrevista: Nuno Henriques considera que o teatro deve ser descentralizado

O actor considera a sua profissao das mais belas e dignas do universo. Actualmente encontra-se em cena na comédia"5ºCanaleCoisoee Tal...", que conta levar ao público de todo o País.

Nuno Miguel Henriques nasceu a 5 de Dezembro de 1973. Tem trabalhado como actor, encenador, e produtor em diversos espectáculos de teatro, televisao, cinema e publicidade.Organizou diversas exposiÇoes e homenagens, com destaque para as homenagens a Miguel Torga, António Gedeao, Augusto Figueiredo, Barbosa du Bocage, entre outras. Participou em dezenas de festivais, encontros, conferencias, colóquios e outros eventos de diversas temáticas. Estudou Teatro, História, Gestao Cultural e encontra-se a frequentar o Mestrado em Marketing em Madrid.

Actualmente está em cena na comédia "5.º Canal e Coiso e Tal...", que conta levar a todos os locais do País.

Nuno henriques assegura

"Para se ser actor é necessário 10 por cento de talento e 90 por cento de transpiraÇao"

Entrevista: c. MendoÇa

POSTALdoALGARVE - Quando é que comeÇou a dedicar-se à arte de representar?

NUNO MIGUEL HENRIQUES - Todos nós fazemos teatralidade, muitas vezes inconscientemente. Eu comecei um pouco confundido, entre o teatro na verdadeira acepÇao da palavra e a encenaÇao religiosa. Essa confusao deu que eu fui para o seeminário católico, fascinado com todo o ritual das cerimónias, mas isso nao era teatro, era teatralidade.

Depois, sim, veio a arte de representar e aos  13 anos, comecei de palco em palco, como que a brincar às personagens. Nessa altura já era semiprofissional, o que é raro para a idade. Sempre soube o que queria, o que desejave e para onde quero caminhar.

Sabe, curiosamente ensaiava em segredo, com a minha avó, Maria Isabel, que era uma espécie de directora de actores privada. Era muito bonito, porque em cena, coloquei apesar da idade, sempre muito empenho.

PA . Qual o género que mais gosta de representar?

NMH - Normalmente gosto do que represento.Mas naturalmente orgulho-me muito de poder interpretar com alma, dignidade e arte, o TEATRO POÉTICO. Este é um género onde me sinto completamente em casa. TIvemos grandes nomes como Mário Viegas e Joao Villaret a trabalhar na arte de dizer. Eu, actualmente sou talvez o actor com mais espectáculos de teatro poético feitos por ano no País. Ë um lado criativo, onde pomos sentimentos, emoÇoes, ódios, amores, enfim, tudo e nada. " Despimo-nos com as palavras dos poetas". Além desse género, gosto muito de fazer comédia, puro divertiemnto. nao imaginam como faz bem rir. Nós temos a mania de andar tristes, é o nosso fado, mas a gargalhada é muito importante para a saúde e a vida.

PA.- A profissao de actor é bastante trabalhosa e exige bastante dedicaÇao, é devidamente compensada?

NMH - A profissao  de actor é das mais belas e dignas do universo. Amamos o que fezemos. O actor é um atleta do coraÇao. O público gosta de nós, sai para nos ver, bate palmas e ainda nos pagam... o que queremos mais?!... Apenas necessitamos que nos tratem com dignidade e respeito, nomeadamente alguns políticos que sao quase fariseus. Mas penso que algo está a mudar. Pois é, claro que dá para viver, temos é de gerir bem a nossa carreira. Um actor profissional, tem dificultades mas tem algumas vantagens, em relaÇao a outras profissoes. Talvez seja mais difícil viver com um ordenado de uma fábrica, ou da indústria hoteleira, do que o de um actor. Claro que estou a falar de artistas "a sério", porque muita gente intitula-se actor sem o ser. Eu tenho carteira profisinal desde 1991, agora quase ninguém tem, faz isto ou aquilo e intitula-se actor.

PA - O facto de ouvir o público aplaudir já é um incentivo para continuar?

NMH - O público no teatro aplaude de livre e espontanea vontade. Na televisao é pago para bater palmas e tem um cartaz a dizer "palmas". No teatro as palmas sao a energia do talento e da inspiraÇao artística.

PA - Actualmente está a preparar a peÇa "5º Canal e Coiso e Tal ...". Fale-nos um pouco acerca desde novo trabalho.

NMH - Esta peÇa é direitíssima. É gratificante preparar un trabalho para levar a todos os locais de Portugal, que pretende criticar a brincar, sem ofensas nem palavroes, a televisao lusitana. . "5º CANAL E COISO E TAL..." é um espectáculo de humor por vezes popular, por vezes britanico. Colocamos personabens muito giras em cena que brincan com o público, danÇam, cantam, enfim...acho que o Algarve vai divertir-se com este espectáculo, muito em breve, bem como o resto do País.

PA - Que qualidades considera mais importantes para se ser actor?

NMH - Para se ser actor é necessário apenas 10 por cento de TranspiraÇao ( Trabalho), aquilo que eu costumo dizer aos meus alunos de teatro, TT. Só quem for trabalhador vencerá. Chegar lá nao custa, por vezes é uma questao de sorte, mas aguentar-se na profissao é mais difícil.

PA -   O que pensa da distribuiÇao dos subsídios às companhias de teatro?

NMH - Nao penso. Assisto. Sabe que em outros países da Europa, nao existem subsídiarios, mas apoios para as estructuras funcionarem. Também nao tenho compreendido os critérios da falta de política cultural e gestao equilibrada para as artes do espectáculo.

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Nuno Henriques

Master cremer en Marketing Management 2002